Caminho do São Francisco





SÃO ROQUE DE MINAS

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Berço do São Francisco, a cidade abriga parte do Parque Nacional da Serra da Canastra, criado justamente para proteger a área das nascentes do rio, até então utilizada como pastagem. A unidade de preservação possui 198.377 hectares, localizados a 310 quilômetros da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte. Aberto à visitação pública, o parque recebe freqüentemente turistas, amantes da natureza e dos esportes radicais, que desfrutam ainda de pelo menos 38 cachoeiras, além de cavernas e grutas, existentes no entorno do parque. Criada por decreto federal em 1972, a unidade atinge ainda os municípios mineiros de Sacramento e Delfinópolis.

Com vegetação formada basicamente por campos rupestres, matas ciliares e cerrados, o Parque abriga espécies vegetais típicas, como canela-de-ema e arnica-do-campo, além de animais como lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, veado-campeiro e aves como pato-mergulhão, siriema, coruja e gavião, sendo algumas espécies ameaçadas de extinção. O nome da serra vem de sua semelhança com uma canastra, quando observada à distância. Ainda em São Roque, no distrito de São José do Barreiro, há o Mirante do Rolador, com 1,5 mil metros de altitude, de onde se avista a porção inicial do Vale do São Francisco.

ARCOS

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Embora longe da calha do Velho Chico, a cidade mineira de Arcos compõe sua bacia hidrográfica e destaca-se por integrar a Província Cárstica de Arcos-Pains-Doresópolis, uma faixa de aproximadamente 100 quilômetros, formada por paredões de calcários, com 320 grutas e cavernas já cartografadas. Ali há registro de fósseis, inscrições rupestres, fragmentos de peças de cerâmica, utensílios e ferramentas pré-coloniais. Em 16 de junho de 2000, Arcos ganhou ainda o Centro de Educação Ambiental e Núcleo Museológico da Reserva de Corumbá, localizado na Estação Ecológica de Corumbá. O espaço foi criado a partir de parceria entre a Companhia Siderúrgica Nacional e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), como parte de termo de compromisso assumido pela empresa junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Seu acervo inclui urnas funerárias, animais fossilizados e ferramentas pré-coloniais, entre outras peças.

IGUATAMA

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A cidade abriga edificações de importante valor cultural e histórico, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Abadia, sagrada em 15 de agosto de 1862, e a ponte de ferro sobre o Rio São Francisco, inaugurada em 1910, entre outras. Pelo menos sete construções mais importantes têm tombamento pelo município mineiro, mas várias foram modificadas durante processos de reforma. A ponte, que tem 88 metros de extensão, possibilitou, no passado, que os trens vindos pela Estrada de Ferro Goiás cruzassem o Velho Chico. Poucos anos depois, em 1916, a ferrovia foi incorporada à Estrada de Ferro Centro-Oeste, permitindo a ligação com Belo Horizonte. O prédio da Estação Ferroviária de Garças de Minas, instalado nessa ocasião, ainda hoje funciona para o controle de tráfego de trens de carga.

Nos arredores de Iguatama existem ainda casarões seculares, sedes de antigas fazendas da região. A cidade abriga também uma carranca de cinco metros de altura e sete toneladas, feita de um pequizeiro e, provavelmente, a primeira a ser encontrada a partir da nascente do São Francisco. A Lagoa de Inhuma, tida por moradores como a maior lagoa natural de Minas, com 540 hectares de espelho d’água e com um canal de ligação com o Rio São Francisco, é outra atração da cidade.

DORES DO INDAIÁ

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A cidade mineira de Dores do Indaiá abriga a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, erguida na Praça do Santuário. Embora seus alicerces tenham sido assentados nos últimos anos do século XIX, a edificação só foi inaugurada em 1921. É uma construção suntuosa, de estilo neoclássico, que se destaca do conjunto da pequena praça. Com torre única, possui linhas harmoniosas e amplo espaço interno, além de guardar imagens antigas da Virgem Maria, do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora Aparecida. No seu altar-mor estão outras quatro imagens antigas, recentemente restauradas. O piso da matriz, de cerâmica trabalhada, é original e um dos dois sinos instalados na torre foi fabricado, em 1904, antes mesmo da construção do templo. Dores do Indaiá conserva, ainda, em bom estado outras edificações históricas, como os prédios da Prefeitura Municipal, provavelmente construído na primeira metade do século XX, onde até 1938 funcionou sua cadeia pública; e da Escola Estadual Doutor Zacarias, erguido em 1922, em estilo neoclássico, para abrigar a sede de uma fazenda.

FELIXLÂNDIA

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Instalado na mineira Felixlândia, o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, na Praça do Santuário, abriga a imagem de Nossa Senhora da Piedade com Jesus Cristo, atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que a teria esculpido, provavelmente, em 1783. A belíssima imagem, restaurada em 2001 pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor) da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, é protegida por sistema eletrônico de segurança. Mas, mesmo sendo um dos bens culturais mais valiosos do Alto São Francisco, não tem tombamento em nenhuma esfera do poder público.

MORADA NOVA DE MINAS

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A cidade abriga a Estação Ecológica de Pirapitinga, a única unidade de conservação desse tipo em Minas Gerais. Com área de aproximadamente 1.388 hectares e perímetro de 20 quilômetros, a unidade foi criada por decreto federal em 1987 e é servida pelo reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias. Situada na Ilha das Marias, que surgiu por ocasião do represamento do São Francisco, a estação é um dos habitats do lobo-guará e do tamanduá-bandeira e constitui uma área de alimentação, reprodução e descanso de aves migratórias. A estação contém ainda banco genético remanescente à inundação do vale pela represa e abriga áreas de cerrado protegidas, em excelente estado de conservação.

TRÊS MARIAS

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Sede da primeira usina hidrelétrica do São Francisco, a partir da nascente, a cidade tem como principal atração o próprio lago, conhecido por “mar doce de Minas” e visitado com freqüência por turistas. No Distrito de Andrequicé, há uma escultura de um índio, de autoria do artista baiano Deocleciano Martins de Oliveira, que também esculpiu outras obras espalhadas por cidades ribeirinhas. Ali também se instalou o Memorial Manuelzão, uma das ações do Projeto Memorial Manuelzão, coordenado pela Associação Comunitária de Andréquicé. O projeto busca manter viva a memória do vaqueiro Manuel Alves Nardi, o Manuelzão, um dos principais personagens do escritor Guimarães Rosa. Outro objetivo é a valorização do patrimônio cultural do povoado e do ambiente sertanejo das veredas do Rio São Francisco.

PIRAPORA

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A cidade, cujo nome significa em tupi-guarani “local onde saltam os peixes”, já não tem a abundância de dourados, surubins e outras espécies nativas do São Francisco. Mas as corredeiras do rio ainda garantem lazer aos turistas, seja para um banho na Prainha, para a pesca ou para passeio em pequenos barcos alugados. Ancorado às margens do São Francisco, o vapor Benjamim Guimarães aguarda a liberação final para também voltar a navegar, recontando parte da história do rio e da própria cidade. A “gaiola” – atualmente a única no mundo com propulsão a lenha –foi construída pela empresa norte-americana James Rees Sons e Co., e seu batismo deu-se em 1913, nas águas do Rio Mississipi. Na mesma década, foi adquirida pela Amazon River Plate Co., quando passou a navegar nos rios da Bacia Amazônica. Nos anos 20 do século passado, foi comprada pelo empresário brasileiro Júlio Mourão Guimarães e recebeu o nome de Benjamim Guimarães, uma homenagem ao pai do novo proprietário, iniciando sua longa história pelas águas do Rio São Francisco, a partir de Pirapora.

A construção de barragens limitou seu percurso e oitenta anos depois, o vapor foi interditado, diante do risco de explosão de sua caldeira. A partir daí, nunca mais deixou a porção mineira do São Francisco. Ainda assim, o Benjamim Guimarães, tombado pelo Estado e pelo município de Pirapora, é uma das atrações da cidade. Outros bens de importância histórica em Pirapora são a Ponte Marechal Hermes, inaugurada em 1922 e o conjunto arquitetônico da Estação Ferroviária, construído em 1910 e hoje tombado pelo município.

BURITIZEIRO

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De frente para Pirapora, do outro lado da ponte metálica Marechal Hermes e também às margens do São Francisco, um local apontado como antigo cemitério dos índios caiapós, que habitavam a região, instiga os pesquisadores. A área, conhecida por Cemitério da Caixa D’água, já revelou fossas com corpos fletidos ou fogueiras com corpos queimados, além de instrumentos e utensílios em pedra lascada e polida. Buritizeiro abriga ainda construções de importante valor histórico como o prédio da Estação Ferroviária e o prédio central da Fundação Caio Martins.

VÁRZEA DA PALMA

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A oito quilômetros de Pirapora, em Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma, ficam as ruínas da Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, edificação que assiste, há mais de dois séculos, à passagem tranqüila do Rio das Velhas, um dos principais afluentes do Velho Chico. Atribuída aos jesuítas, a construção de pedras foi iniciada por volta de 1775 e jamais concluída. Uma enorme gameleira, de onde dezenas de pássaros saúdam o visitante, cresceu no local e suas raízes acabaram se misturando às pedras da igreja, criando formas inusitadas e de grande beleza. A edificação tem tombamento estadual.

SÃO ROMÃO

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Palco da primeira revolta contra a Coroa Portuguesa em 1736, e importante cidade do sertão mineiro no século XVIII, São Romão abriga edificações antigas, algumas em acelerado processo de degradação. Seu acervo, que não constava no levantamento preliminar feito pelo Projeto São Francisco Patrimônio Mundial, foi incluído na relação de bens após a Expedição Engenheiro Halfeld. A mais antiga igreja da cidade, por exemplo, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, remonta a 1668, segundo informações da comunidade não confirmadas por documentos. A cidade tem ainda um cemitério com túmulos antigos, alguns datados do século XVII.

JANUÁRIA

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Um dos marcos da ocupação ao longo do São Francisco - com destacado papel na produção de cereais, fumo, açúcar e seus derivados na segunda década do século XIX -, Januária abriga um dos mais importantes complexos arqueológicos do mundo, no chamado Vale do Peruaçu, com superfície total de 150 mil hectares. Criado em 1999, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, com 56,8 mil hectares, permanece fechado à visitação pública, como forma de preservar seu ecossistema e as frágeis estalactites e estalagmites em formação nas cavernas. Mas seu plano de manejo está em fase final de elaboração e, em 2005, a atração ou pelo menos parte dela poderá ser visitada.

No local estão cerca de 100 sítios arqueológicos, com ricas inscrições rupestres que remontam a 10 mil anos, pelo menos 140 grutas mapeadas e catalogadas e 75 cavernas esculpidas pelo Rio Peruaçu, afluente do Velho Chico, que corta as formações rochosas em uma extensão de 120 quilômetros. O maior destaque fica para a Lapa do Janelão, a maior caverna em volume do mundo, com três quilômetros de extensão, metade deles iluminada por clarabóias, resultado dos desmoronamentos de partes do teto da gruta. Pendurado no teto do Janelão, outro recorde, já inscrito no Guinnes Book: a Perna da Bailarina, maior estalactite do mundo, com 27 metros e peso estimado em mais de dez toneladas.

A 48 quilômetros do Centro de Januária, um outro patrimônio natural encanta quem se envereda pelo São Francisco. O pântano do Rio Pandeiros, inserido em uma Área de Preservação Ambiental, também é conhecido como o Pantanal de Minas, verdadeira maternidade dos peixes do Velho Chico. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) aponta que a área é responsável por 70% da procriação natural de peixes do São Francisco, o que justifica um decreto estadual que proíbe a pesca de qualquer modalidade no local. Manifestações culturais, como a Cavalhada de Brejo do Amparo – representação da luta entre mouros e cristãos – também fazem parte do acervo dessa cidade.

CARINHANHA

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Cidade dos carros de bois com modernos pneus de borracha, usados para todo tipo de transporte, esse município baiano de 25 mil habitantes, na divisa com Minas Gerais, tem conjuntos inteiros de casinhas coloridas. Algumas despertam a curiosidade, como a Casa da Careta, construída no século XVIII e última lembrança de uma rixa entre dois portugueses que moravam no local. Através das construções, os “patrícios” caçoavam um do outro, o que justifica a presença do busto de um homem bigodudo, cercado de peixes e aves no arco superior da casa.

No porto da cidade, outra curiosidade atrai o visitante. Ali está o Pau do Fuxico, uma frondosa árvore que, no passado, abrigava longas e calorosas discussões – para não dizer fofocas - sobre política. A árvore conta até mesmo com a proteção da Associação do Pau do Fuxico. E na junção entre os Rios Carinhanha e São Francisco, lagoas marginais são verdadeiros criatórios naturais de espécies nativas de peixes, onde se refugiam também bandos inteiros de aves.

BOM JESUS DA LAPA

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Ponto de convergência de romeiros de todo o país, sobretudo das regiões vizinhas, a baiana Bom Jesus da Lapa abriga o Morro da Lapa, chamado pelos índios de Itaberaba ou pedra bonita e resplandecente. Com torres que lembram um castelo medieval, as grutas do Morro da Lapa formam o Santuário do Senhor Bom Jesus, fundado pelo eremita Francisco Mendonça Mar. Cidade singular do São Francisco, Bom Jesus da Lapa cresceu a partir da fé e recebe anualmente, entre julho e setembro – período da festa do padroeiro – perto de 100 mil peregrinos por dia.

A cidade vive do comércio da fé, com barracas que vendem santinhos, terços e imagens, além de ex-votos – pernas, braços e cabeças de cera ou madeira, usados para pagar promessas. As carrancas produzidas em Bom Jesus da Lapa também são vendidas em todo o Brasil e até exportadas para a Europa.

PARATINGA

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O maior patrimônio dessa cidade de 10 mil habitantes é sua cultura, expressada, sobretudo nas folias de reis, realizada em janeiro. Ali, negras senhoras com coloridos chapéus de palha convidam para a dança da Folia dos Santos Reis do boi, uma tradição secular. A 100 quilômetros da divisa com Minas Gerais, Paratinga tem ainda um casario antigo e bem conservado, cenário ideal para as ricas manifestações folclóricas e para a apresentação da Filarmônica 13 de Junho, uma das mais antigas da Bahia. Entre as construções, destacam-se o Centro Cultural Rio Branco, edificado no início do século XX e totalmente recuperado em 2000, além do prédio do Mercado Municipal, de 1938. Do antigo cais da cidade, avista-se a Ilha de Paratinga, apontada como a maior em extensão de todo o São Francisco, com 18,5 quilômetros de comprimento e 3,5 quilômetros de largura.

BARRA

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Importante centro de comércio e cultura para as comunidades ribeirinhas do século XIX, ainda hoje o município baiano de Barra conserva um importante conjunto arquitetônico, com casario neoclássico e edificações históricas surpreendentemente preservadas, embora sem nenhum tombamento. Dentre elas se destacam a Igreja de Bom Jesus dos Navegantes, construída em 1808, o Mercado Municipal, datado de 1917 e o Palácio Episcopal, de 1932. A simpatia dos moradores “capaz de rivalizar com uma corte das mais civilizadas”, como descreveram antigos viajantes, é outra riqueza da cidade.

A terra natal de João Maurício Wanderley, o Barão de Cotegipe, importante político do Brasil Império, é berço de outros personagens também marcantes, como o artesão José Geraldo, o Gerar, que já ganhou o mundo com esculturas chamadas dois em um - de um lado, ela tem um santo da Igreja Católica e, de outro, o seu correspondente no Candomblé. O trabalho com a cerâmica ainda gera emprego e renda para adolescentes em situação de risco.

LAGO DO SOBRADINHO

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Com um lago de 320 quilômetros de extensão e 4.214 km2 de espelho d’água, a Barragem de Sobradinho foi ativada em 1979, para um melhor controle do curso do São Francisco e do fornecimento de água para as usinas à jusante. Um verdadeiro mar invadiu o sertão, cumprindo – dizem os moradores - a profecia ou praga de um capuchinho que evangelizava naquela região. Hoje, só com a ajuda de uma eclusa de navegação as embarcações podem vencer um desnível de até 32,5 metros entre o lago e o trecho seguinte do rio.

A formação do lago levou ao desaparecimento de cinco núcleos urbanos baianos de porte médio – Pilão Arcado, Remanso, Casa Nova, Sento Sé e o distrito de Sobradinho, então ligado a Juazeiro. Os moradores desses centros foram transferidos para novas sedes, às margens do reservatório. Com a seca constante, porém, eles acabaram se distanciando do rio. Em 2001, durante a passagem da Expedição Engenheiro Halfeld, foi possível constatar o ressurgimento das ruínas das antigas cidades, em função do baixo volume de água do lago, provocado pela falta de chuvas regulares.

Na antiga Pilão Arcado, entre as edificações que nunca chegaram a ser inundadas, está a Igreja de Santo Antônio, com inscrição de 1873. Já em Remanso, foi possível visitar as ruínas de uma igreja, com parte de um altar ainda ereta, medindo 1,7 metros de altura. O antigo porto de Remanso também voltou a receber pequenas embarcações e até bares estavam funcionando no local.

PETROLINA

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Com quase 200 mil habitantes, essa progressista cidade pernambucana, distante 739 quilômetros de Recife, abriga o Museu do Sertão, com mais de três mil objetos representativos do meio ambiente, da cultura indígena, do artesanato e da moradia do meio sertanejo. Entre as construções históricas, o destaque fica para a Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos, edificada entre 1856 e 1860 pelos padres capuchinhos, em torno da qual a cidade se desenvolveu. A construção abriga imagens originais, além dos nichos e do coro de madeira preservados. Porém, já perdeu parte de suas características originais, como o piso, que foi trocado por ardósia.

A cidade preserva ainda o prédio da antiga Estação Ferroviária, de 1923, com tombamento estadual e totalmente restaurado, mas isolado em meio ao complexo viário local e sem os trilhos que ajudavam a compor o ambiente. A principal referência arquitetônica de Petrolina, porém, é uma igreja em estilo neogótico, a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, inaugurada em 1929 e construída para ser um templo nacional. Daí os vitrais na nave superior com os escudos dos estados brasileiros. Trata-se do maior conjunto de vitrais da América Latina.

O majestoso templo, erguido por Dom Antônio Maria Malan, primeiro bispo de Petrolina, possui ainda um carrilhão feito em Juazeiro do Norte, no Ceará, e doado pelo Padre Cícero Romão Batista. A gastronomia, baseada na carne de bode, é outra atração da cidade, que tem até mesmo um Bodódromo, espécie de praça de alimentação a céu aberto, onde o bode é servido em dezenas de receitas diferentes.

JUAZEIRO

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Ligada a Petrolina por uma ponte sobre o Rio São Francisco, a Presidente Dutra – que se erguia para a passagem dos vapores -, a cidade baiana, 508 quilômetros distante de Salvador, tem como atração o próprio vapor Saldanha Marinho, primeira gaiola a navegar pelo Velho Chico. Transformada em pizzaria, a embarcação tem sua estrutura externa preservada, embora o mobiliário e os banheiros tenham sido substituídos. Ilhas como Amélia e Rodeadouro, com infra-estrutura de bares, também atraem turistas, com pratos típicos baseados em peixes do próprio São Francisco.

Descrita por historiadores, no início do século XIX, como a “passagem do Rio São Francisco mais freqüentada de todo o sertão da Bahia”, Juazeiro guarda ainda antigas edificações como o Aqueduto do Horto Florestal, do início do século XX, que é utilizado para captação de água do rio, irrigando plantações da Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco, ligada à Universidade do Estado da Bahia. No mesmo campus, encontra-se a Residência do Horto Florestal, erguida em 1919 para servir de residência ao agrônomo do local. Inutilizada, a construção estava deteriorada e em reformas durante a passagem da Expedição Engenheiro Halfeld, em 2001.

Já a Igreja Catedral Nossa Senhora das Grotas foi erguida na década de 50 do Século XX, no mesmo lugar de um antigo templo destruído por uma enchente. Mas em seu interior, há imagens antigas como a de um Cristo Morto e a de Nossa Senhora das Grotas, essa última datada de 1706 e em razoável estado de conservação. Conta uma lenda que a imagem foi encontrada por nativos em uma grota às margens do rio. A antiga estação ferroviária de Juazeiro, bem como as casas do engenheiro e do agente da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), são outras importantes edificações da cidade, mas que já se encontram descaracterizadas e bastante deterioradas.

PAULO AFONSO

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Uma das mais ricas cidades da região, com imenso complexo de geração de energia, Paulo Afonso vem se posicionando ainda com um verdadeiro paraíso para o turismo ecológico, a partir do desenvolvimento de um Pólo de Ecoturismo, em parceria com o Governo Federal. Ali, cânions altíssimos comprimem um Velho Chico de águas azuis, um cenário ideal para esportes radicais como bungee jump, canoagem, escalada e outros. Da ponte metálica de 80 metros de altura que liga a Bahia a Alagoas, a deslumbrante vista do São Francisco também convida a um salto radical. Na cidade existe ainda uma caverna conhecida como Furna do Morcego, que serviu de abrigo para o bando do lendário cangaceiro Lampião, que marcou a história do sertão na primeira metade do século XX.

A 40 quilômetros de Paulo Afonso, estendendo-se também pelo município de Geremoabo, está a Reserva Ecológica Raso da Catarina, com área de 100 mil hectares de vegetação típica da caatinga. A área possui uma variedade de espécies em extinção, aves de plumagens coloridas, belas formações rochosas e clima típico de áreas desérticas. A Baixa do Chico, um cânion seco de aproximadamente 12 quilômetros de extensão – também usado como abrigo de Lampião -, é uma das principais atrações da Reserva, onde vivem ainda os descendentes dos índios pankararé.

DELMIRO GOUVEIA

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Angiquinho, a primeira usina hidrelétrica do Nordeste, construída pelo empresário Delmiro Gouveia em 1912, repousa cravada em um paredão de pedra nessa cidade alagoana. Das antigas janelas da usina, tem-se uma fascinante vista do São Francisco, em uma enseada de águas verdes protegida por cânions. Uma ponte metálica liga a cidade a Paulo Afonso.

PIRANHAS

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Com acervo arquitetônico preservado e tombado recentemente pelo Governo Federal, Piranhas surpreende o visitante pela sua íntima relação com o Cangaço, movimento que agitou o sertão nordestino na primeira metade do século XX. No Museu do Sertão, instalado no antigo prédio da Estação Ferroviária, estão fotos e causos de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. A cidade tem ruas estreitas e um singelo conjunto de casas do século XIX e início do século XX, que integram um acervo 100% digitalizado.

Por ali corre ainda um São Francisco dos mais límpidos de todo o percurso navegável. Entre os destaques da cidade, o Palácio Dom Pedro II, atual sede da Prefeitura, onde foram expostas as cabeças de Lampião e seu bando, e ainda as igrejas de Nossa Senhora da Saúde – Matriz erguida em meados de 1890 – e a de Santo Antônio, de 1850.

POÇO REDONDO

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Localizado na margem do rio oposta a Piranhas, o município sergipano de Poço Redondo abriga a Grota de Angicos, local onde Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram mortos e degolados, na madrugada do dia 28 de julho de 1938, depois de uma emboscada.

Ainda em Poço Redondo, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, no alto de uma colina, é uma das paisagens mais marcantes do Baixo São Francisco. Construída por volta de 1879, a edificação pode ter contado com a ajuda do líder religioso Antônio Conselheiro, que teria passado pelo local antes de se fixar em Canudos.

CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO

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Um moderno museu, com estrutura de primeiro mundo, protege, nessa cidade sergipana, a memória dos primeiros habitantes das margens do São Francisco. O Museu Arqueológico do Xingó, criado para preservar da inundação da represa verdadeiros tesouros arqueológicos, tem mais de 55 mil peças, com datação entre 1,2 mil e 9 mil anos. Pelo menos 200 paredões com pinturas rupestres também continuam visíveis e cinco deles formam o Museu Arqueológico a Céu Aberto Mundo Novo, com passarelas que facilitam a visitação.

As peças foram recolhidas antes da formação das represas de Xingó e Paulo Afonso. Hoje, o lago de Xingó, com 60 quilômetros quadrados de espelho d’água e profundidade média de 150 metros, cercado por cânions, é atração turística na cidade, servido por catamarãs que reúnem diversão e história em um só passeio. O complexo hidrelétrico de Xingó também é marcado pela imponência. Trata-se do segundo maior do Brasil - perde apenas para Furnas - e o sexto maior do mundo.

PENEDO

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A mais antiga povoação do São Francisco é também uma das mais belas cidades históricas do Brasil. Fundada em 1536, quando o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, criou o primeiro vilarejo ribeirinho, a atual “capital do baixo São Francisco” chegou a ser tomada pelos holandeses em 1637 e recuperada pelos portugueses oito anos depois. Penedo teve ainda participação decisiva na eliminação do Quilombo dos Palmares, em 1697 e na Revolução Pernambucana, em 1817.

Toda a história de Penedo, elevada a condição de cidade em 1842, pode ser revivida em suas majestosas edificações, entre elas o Convento dos Franciscanos, de 1682, as igrejas de Nossa Senhora da Corrente e de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos. Conta a história que a família Lemos, responsável pela construção da Igreja de Nossa Senhora da Corrente, em 1785, era abolicionista e escondia escravos em seu interior. Inúmeros sobrados e casarões também testemunham a importância histórica e cultural de Penedo, entre eles o Paço Imperial, que abrigou Dom Pedro II, durante visita a cidade em 1859.

Entre os monumentos públicos destaca-se ainda o Oratório da Forca, de 1769, local reservado para as orações dos condenados à morte. Na Casa de Penedo, outra construção de destaque, há um rico acervo de peças, mapas, fotos e documentos sobre a história da cidade e da região do Baixo São Francisco, entre eles um exemplar original do Atlas e Relatório concernente à Exploração do Rio São Francisco, desde a Cachoeira de Pirapora até o Oceano Atlântico, o estudo publicado pelo engenheiro Halfeld com os relatos da sua viagem, reproduzida pela expedição contemporânea.

Usando a palha do ouricurizeiro, uma espécie de coqueiro, as mulheres da Associação dos Trançados também chamam a atenção do turista, produzindo almofadas, esteiras, chapéus e bolsas.

PIAÇABUÇU

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O Rio São Francisco descansa nesse município alagoano, depois da caminhada de 2.700 quilômetros. Sua foz no Oceano Atlântico está na Área de Proteção Ambiental de Piaçabuçu, com cerca de 9 mil hectares e perímetro de 74 quilômetros, que se estende até o povoado de Pontal do Peba. Protegida por decreto federal, a APA é aberta à visitação, mas a permanência do turista é limitada em uma hora. Em outras áreas, como na Zona de Conservação da Vida Silvestre, destinada à preservação de quelôneos marinhos e à fixação de dunas, não se pode entrar.

Outra APA da cidade é a de Marituba do Peixe, que chega aos municípios de Penedo e Feliz Deserto. Ali, o último dos afluentes do São Francisco, o Rio Marituba, ajuda a formar lagos temporários, constituindo o que os pesquisadores chamam de pantanal alagoano. A cidade também é famosa no vale como local de pesca do camarão de água doce, conhecido por pitu. Canoas, pequenos barcos movidos pelo vento e por motores são largamente encontrados nessa região do São Francisco, que parece ainda resistir ao impacto da criação dos modernos meios de transporte no Brasil.