Caminho do São Francisco





1ª ETAPA > DESCRIÇÃO

Expedição pesquisa patrimônio do Rio São Francisco

Um rio de contrastes. De belos cenários e paisagens degradadas, de ricas plantações irrigadas e matas ciliares empobrecidas. Um rio de surpresas. De um ribeirinho alegre e cheio de causos, que deposita no rio sua esperança, mas também seu lixo. Um rio que levou o desenvolvimento aos sertões do Brasil e que ainda hoje gera riquezas, energia e vida. Assim a Expedição Engenheiro Halfeld percebeu o São Francisco durante a sua viagem de 35 dias, por 2,3 mil quilômetros da calha, entre outubro e novembro de 2001.

Nesta primeira fase, a expedição percorreu o trecho navegável do rio e visitou 45 municípios de cinco Estados, indo de Pirapora, em Minas, a Piaçabuçu, em Alagoas, onde o Velho Chico encontra o mar.

Uma equipe multidisciplinar composta por geólogo, jornalistas, historiadores, ambientalistas, fotógrafos, cinegrafistas e navegador, entre outros, foi montada e refez a viagem que o engenheiro civil alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld empreendeu entre 1852 a 1854. A expedição deixou Pirapora com uma lista preliminar de 56 acervos tombados em âmbitos federal, estadual e municipal. Ao longo da jornada, porém, a relação de acervos foi ampliada e documentada, totalizando 94 bens naturais, artísticos-arquitetônicos e arqueológicos.

Bens imateriais como manifestações culturais, folclóricas e religiosas também foram documentados, totalizando 20 horas de imagens em vídeo e 10 mil fotos. Os trabalhos buscaram ainda a conscientização e mobilização das populações ribeirinhas, por meio de palestras e cartilhas distribuídas nas cidades e povoados.

Para romper o São Francisco, um grande aparato foi montado. Equipamentos que utilizam a mais moderna tecnologia para a transmissão de dados via satélite estavam a bordo, permitindo aos pesquisadores, por exemplo, registrar a localização exata de cada bem. Telefones também via satélite possibilitaram a comunicação, inclusive o acesso à Internet.

Além do trabalho de visitar e mapear acervos, os jornalistas da expedição produziam colunas diárias, que eram publicadas nos jornais Hoje em Dia (Minas Gerais), A Tarde (Bahia), Jornal do Commercio (Pernambuco) e Gazeta de Alagoas. O Diário de Bordo foi disponibilizado ainda na Internet, permitindo que várias pessoas acompanhassem a viagem em tempo real. Cada sítio histórico e arqueológico foi visitado, mesmo em locais de difícil acesso, e os pesquisadores passaram a conviver com uma nova rotina que incluía o banho no rio, picadas de inseto e redes em lugar de cama. O contato com as populações ribeirinhas, porém, foi a maior recompensa. Os pesquisadores se divertiram e se emocionaram com as histórias dos “beradeiros” e com seu amor incondicional ao rio. Em várias cidades, os viajantes foram recebidos com festa.

O rio de características distintas, dependendo da região onde corre, exigiu ainda diferentes embarcações. Entre Pirapora e Barra, na Bahia, a expedição utilizou a Barca Luminar, que já funcionou como posto de saúde itinerante. O conforto das camas e chuveiro quente parou por aí. Já as profundas águas do Lago de Sobradinho foram vencidas com a barca Nina, na verdade um enorme bar flutuante que navega pelo São Francisco naquela região. Mas, apesar da estabilidade, a embarcação – e seus tripulantes – tiveram uma prova da força da natureza, quando o motor quebrou em meio ao mar de Sobradinho, a uma profundidade em que a âncora não chegava ao fundo. O vendaval revirou todo o barco. À deriva, a expedição parou por 37 horas.

Entre as vizinhas Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) e a encantadora cidade alagoana de Piranhas, a Expedição Engenheiro Halfeld voltou à terra firme. Parte do longo trecho de corredeiras e cânions foi vencida apenas por um pequeno barco, com três membros da equipe. A viagem já vinha sendo feito por terra pela equipe de apoio aos expedicionários embarcados. E em Piranhas, os viajantes voltaram ao rio, em duas barcas menores, Cédila Denize e Oriente, dessa vez sem chuveiro, sem descargas e sem camas. Antes do último destino, Piaçabuçu, a emoção diante da grandiosidade de Penedo, a primeira cidade do São Francisco. Nas lembranças dos viajantes, ainda, o casario em estilo neoclássico de Barra, o folclore de Paratinga, a fé de Bom Jesus da Lapa, o imponente Parque do Peruaçu e, em todo o vale, o milagre da vida proporcionado pelo Velho Chico.

1ª ETAPA > EQUIPE

Coordenação Geral – Américo Antunes e Guilherme Minassa

Navegadores – Luiz Eduardo Corrêa e Thomas Perpétuo Corrêa

Pesquisadores – Eliane Magalhães (Iepha/MG), Maísa Furst (Iepha/MG), Márcio Alves dos Santos, Ricardo Luiz de Castro

Jornalistas – Denise Menezes, Maria Célia Pinto, Pedro Ferreira

Fotógrafos – Soraya Ursine, Roberta Guimarães, Maurício de Souza

Cinegrafista – Geraldo Moura Sobrinho

Técnicos de Informática e Telecomunicações – Armando Garcia e Pedro Miranda

Apoio por Terra – Fernando Piancastelli e Soter Carneiro Abreu

Patrocinadores – Ministério da Integração Nacional, Ministério do Meio Ambiente/Ibama, Ministério dos Transportes, Petrobras e Embratur

Apoio – Autotrac Comércio e Telecomunicações e Globalstar

Iniciativa – Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais (Federaminas) e Rede Marketing e Comunicação

2ª ETAPA > DESCRIÇÃO

Numa segunda fase, entre junho e julho de 2002, especialistas mapearam o Alto São Francisco, desde a cidade de São Roque de Minas, onde está a nascente, até Pirapora. Essa etapa da viagem completou as informações para o dossiê, registrando quase meia centena de bens históricos, artísticos, culturais e naturais. Entre eles, o destaque para o belo berço do Velho Chico, a Serra da Canastra. E, enquanto a primeira etapa foi cumprida, basicamente, por meio de embarcações, a segunda, com duração de 14 dias, se caracterizou pela utilização de transporte terrestre, em função das limitadas condições de navegação do Alto São Francisco e ainda da localização das cidades a serem visitadas, distante das margens do rio.

Alguns trechos fluviais, porém, foram percorridos e mapeados pela equipe, assim como importantes acervos distantes da calha foram pesquisados na primeira etapa. Nos trechos entre Iguatama e Lagoa da Prata e entre Cachoeira Grande e Pirapora, por exemplo, as equipes viajaram em pequenos barcos a motor. A Expedição Engenheiro Halfeld foi o marco inicial de uma ampla campanha para incluir o rio na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

2ª ETAPA > EQUIPE

Coordenação Geral – Guilherme Minassa

Navegador – Luiz Eduardo Corrêa

Pesquisadores – Márcio Alves dos Santos e Henrique Candeia

Cinegrafista – Geraldo Moura Sobrinho

Fotógrafo – André Brant

Patrocinador – Sebrae Nacional

Iniciativa – Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais e Rede Marketing e Comunicação