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20/05/2007
| Veredas, oásis da biodiversidade do Cerrado |
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Exuberantes oásis nas vastidões do Cerrado do Planalto Central, as veredas reúnem uma singular e frágil biodiversidade de flora e fauna, onde se destacam, imponentes, as palmeiras buritis e as araras canindé, que se alimentam de seus frutos. No curso das veredas, grandes ou pequenas, as águas brotam e afloram da terra, formam cursos d`água que perenizam córregos e riachos que injetam a vida no majestoso rio São Francisco.
“De longe a gente avista os buritis, e já se sabe: lá se encontra água”, cantou o poeta João Guimarães Rosa. E esta foi a paisagem que encantou a Comitiva do Sertão das Gerais no terceiro dia da viagem, desde Andrequicé até a Fazenda de Santa Catarina, ao cortar a Vereda São José, cujas águas afluem para o ribeirão do Boi. Com cerca de uma légua e meia de extensão, a Vereda São José tem uma importância que transcende as questões ecológicas. Ela é fonte de vida para dezenas de famílias ribeirinhas, como a de Juveci Gonçalves, que sobrevivem da abundância de seus frutos.
Há quase 200 anos, os naturalistas Spix e Martius, em sua viagem pelo Brasil, já haviam registrado a importância dos buritis para o sertanejo. “O buritis fornece aos habitantes fio e fibra resistentes, retiradas de suas folhas; com as folhas, dá cobertura para as palhoças; fazem-se gradeados e bolsa com as partes periféricas de seu caule; remos com o talo de suas folhas; uma bebida muito agradável com a polpa de coco, doce apreciado e artigo de comércio do sertão de Minas”.
Entretanto, a rica biodiversidade das veredas está cada vez mais ameaçada pelo avanço implacável das monoculturas sobre o Cerrado. Depois da Vereda de São José, por exemplo, a paisagem na rota da comitiva voltou a ser dominada pelos eucaliptos recém plantados pela siderúrgica Metal Sider em uma área de mil hectares.
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