|
![]() |
 |
Legenda da foto bla bla bal baljjflakjf adflajf adf |
 |
Nova pagina 1
Diamantina
comemora, no próximo dia dois de dezembro, o aniversário de dez anos da
conquista do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO em
reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada no Marrocos. A notícia,
transmitida pelo então prefeito João Antunes de Oliveira, que, em Marrakech,
acompanhava a reunião da UNESCO, foi recebida com alegria e entusiasmo pela
população diamantinense, estendendo-se as comemorações festivas pelas ruas e
becos do centro histórico até 12 de dezembro de 1999.
De fato, a
mobilização e a participação da população seriam grandes diferenciais de
Diamantina na campanha pelo título mundial. Lançada em 28 de março de 1997,
quando o prefeito instituiu a Comissão por Diamantina Patrimônio da Humanidade,
a campanha empolgaria a cidade, logo ganhando o apoio do então ministro da
Cultura, Francisco Weffort. Depois, seria a vez da Secretaria de Cultura de
Minas aderir ao movimento e, assim, paralelamente aos trabalhos de preparação do
Dossiê da candidatura, que já se iniciavam, a Prefeitura iniciou intensa agenda
de eventos, cujo ponto de partida foi o lançamento do Programa Nacional de
Turismo Cultural. O programa, apresentado em Diamantina em 17 de agosto de 1997,
Dia do Patrimônio Cultural, não só consolidou a campanha, como projetou a
musicalidade da cidade e a rua da Quitanda, palco da primeira Vesperata.
Ainda em
dezembro daquele ano, o Teatro Nacional de Brasília seria palco, por sua vez, de
outro momento fundamental da campanha Diamantina Patrimônio Cultural da
Humanidade, ao celebrar a irmanação da cidade natal do presidente Juscelino
Kubitscheck com a capital federal que ele criou. Promovida pelo Caderno Brasília
do Hoje Em Dia, a festa de irmanação entre as duas cidades, unidas por JK, foi
embalada pelos acordes das bandas diamantinenses e pelos músicos do Clube da
Esquina e ecoou para a opinião pública do País toda riqueza e a diversidade da
história e da cultura de Diamantina.
Mobilização
popular
Ancorada nesta
intensa agenda de eventos, a campanha projetou a cidade e calou fundo no coração
dos diamantinenses, antes mesmo que o Dossiê da candidatura fosse oficialmente
encaminhado à UNESCO pelo Ministério da Cultura; o que ocorreria em 30 de junho
de 1998. Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi em abril daquele ano
revelaria, por exemplo, que nada menos do que 83,3% da população já aprovava a
campanha Diamantina Patrimônio Cultural da Humanidade e, entre os entrevistados,
21,6% consideravam que esta era a ação mais importante para o futuro da cidade.
O apoio popular
seria saudada também com entusiasmo pelos representantes de órgãos de proteção
ao patrimônio histórico, artístico e cultural. Suzana Sampaio, que acompanhou
toda a campanha como presidente do Icomos/Brasil - um órgão consultivo da UNESCO
-, destacaria o empenho dos seus idealizadores, desde o início do movimento,
“em promover a cidadania e a melhoria de vida da população”. Já o então
presidente da Associação das Cidades Inscritas no Patrimônio da Humanidade,
Michael Bonnet, que visitou a cidade em fevereiro de 1999 como perito da UNESCO,
ressaltou, em seu relatório, que o apoio da população à campanha pelo título era
também uma das razões pela qual ele recomendava a inscrição da cidade na Lista
do Patrimônio Mundial.
Apesar disso,
Diamantina teria, no entanto, de vencer ainda alguns desafios até a reunião da
UNESCO no Marrocos. O primeiro deles era que a cidade, até então, não dispunha
de um Plano Diretor que salvaguardasse para as gerações futuras o seu patrimônio
histórico, artístico e cultural. O outro desafio seria colocado pelo perito da
UNESCO. Embora Bonnet recomendasse em seu relatório que a inscrição fosse
aceita, ele condicionava o reconhecimento mundial a que a Serra dos Cristais,
cuja paisagem emoldura a cidade, ganhasse também um instrumento legal de
proteção. Na corrida contra o tempo, a Câmara de Vereadores de Diamantina
aprovou o Plano Diretor em período recorde. E o Instituto Estadual do Patrimônio
Histórico e Artístico – Iepha/MG, por sua vez, tomaria todas as providências
para o tombamento da Serra dos Cristais.
Resultado de
todos estes esforços, o centro histórico de Diamantina seria finalmente
reconhecido por unanimidade como Patrimônio Cultural da Humanidade na reunião da
UNESCO no Marrocos em dois de dezembro de 1999. Em entrevista à revista
Diamantina Patrimônio Mundial, veiculada pelo Hoje em Dia em fevereiro de 2000,
o prefeito João Antunes assim avaliou a conquista:
“Penso que
Diamantina foi escolhida não apenas pela riqueza de seus monumentos ou a arte de
seus movimentos culturais, mas pela capacidade e possibilidade de conservar sua
história. Neste sentido, acredito que foi dado o primeiro passo. Agora, a cidade
vai caminhar sozinha. Ao mesmo tempo em que o título nos traz prestígio, traz
também uma responsabilidade: não é mais possível manter o ritmo antigo. A
cidade cria uma nova mentalidade de melhoria e progresso”.
|